Trabalhar no universo das startups me ensinou que validar uma ideia pode ser a diferença entre investir recursos em algo promissor ou desperdiçá-los em um projeto sem futuro. Quando li sobre o conceito de MVP pela primeira vez, confesso que fiquei cético. Parecia simplificar demais o processo de inovação. Mas, à medida que percebi o número de negócios que desmoronavam logo nos primeiros anos, segundo dados do professor Marcelo Caldeira Pedroso, cerca de 30% dessas empresas falham em 2 anos —, percebi que testar hipóteses era questão de sobrevivência.
Ao longo deste artigo, quero compartilhar minha visão e experiência de como criar um produto mínimo viável, fazer isso de forma enxuta e aprender rápido. Mais do que um passo a passo, este texto é uma conversa sobre decisões, riscos e a descoberta do que, de fato, faz sentido para o seu futuro negócio. Vou alternar exemplos, listas e pequenas histórias reais, porque, às vezes, pequenos detalhes fazem toda diferença no sucesso de uma MVP simples.
O que é um MVP e por que ele é tão importante?
Para mim, a definição mais útil de MVP (Produto Mínimo Viável) é: trazer para o mundo, com o mínimo de esforço e investimento possível, uma solução viável e testável para o principal problema do cliente. O objetivo não é entregar o produto final, mas sim aprender, testar e reduzir os riscos iniciais do empreendimento.
Esse conceito se popularizou com a metodologia Lean Startup, criada por Eric Ries. O MVP, dentro desse método, é uma peça fundamental do ciclo construa-meça-aprenda. Ou seja: você constrói uma versão reduzida da solução, mede a reação dos primeiros clientes e aprende como (ou se) seu projeto pode avançar de forma sólida.
Falhar pequeno é sempre menos doloroso e mais barato do que falhar grande.
Como já observei em vários casos, seguir esse raciocínio permite que ideias sejam testadas antes de grandes investimentos. Isso ajuda a evitar as estatísticas negativas dos novos negócios no Brasil, que não por acaso têm taxas de mortalidade tão preocupantes nos primeiros anos, conforme os dados de Marcelo Caldeira Pedroso (FEA-USP).
Como o MVP reduz riscos e evita desperdício?
Costumo comparar a construção de um novo negócio sem validação ao ato de pular de paraquedas sem checar o equipamento. O MVP, nesse sentido, funciona como o teste prévio: verifica se tudo está seguro antes de saltar. Ao limitar as funcionalidades, diminuímos custos, aceleramos a entrada no mercado e coletamos respostas reais dos usuários.
No estudo da USP sobre aplicação de MVP, os pesquisadores apontam a rapidez no aprendizado e a redução do tempo desperdiçado em hipóteses erradas como as principais vantagens desse método. Isso se conecta diretamente com a proposta do Criador de Negócios: antes de gastar tempo e dinheiro, é preciso entender se sua ideia realmente preenche uma dor relevante, possui mercado e tem potencial para se destacar.
E não basta apenas criar um protótipo. Vi casos em que fundadores apaixonados pela própria ideia investem meses programando funcionalidades que ninguém pediu. No fim, quando vão testar de verdade, percebem que o cliente esperava outra solução, muitas vezes, mais simples.
O ciclo construir-medir-aprender na validação de ideias
A chave de ouro do MVP para mim está no ciclo contínuo de ajustes. O conceito de construir-medir-aprender, além de lógico, é libertador. Ele dá permissão para errar pequeno, rápido e barato, mas exige disciplina para aceitar dados e feedbacks, sem apego ao que não funciona.
- Construa: Crie a solução básica que possa ser apresentada.
- Meça: Coleta de métricas claras, escute os clientes reais.
- Aprenda: Entenda o que funcionou, o que não funcionou e esteja pronto para mudar de direção.
Eu mesmo já passei pela ansiedade de testar uma ideia e ver que a reação do público foi diferente do planejado. O importante é não desanimar nesse momento. A cada ciclo, você fica mais perto do produto ou serviço ideal para o seu perfil de cliente.
Como criar um MVP simples: passo a passo completo
Agora, vou apresentar um passo a passo prático baseado na experiência prática, em metodologias validadas (como as apresentadas pelo estudo da USP) e na rotina de vários empreendedores. O objetivo é transformar hipóteses em resultados concretos, um aprendizado de cada vez.
1. Defina as hipóteses chave do seu negócio
Antes de colocar a mão na massa, é preciso saber o que estamos testando. Sempre recomendo que, ao começar, responda: qual problema você está resolvendo, para quem e por que esse problema é relevante?
Liste as hipóteses principais, aquelas sem as quais seu negócio não faz sentido. Exemplos:
- Clientes de pequenas empresas têm dificuldade para controlar vendas de forma eficiente.
- Pessoas com mais de 50 anos querem aprender a usar aplicativos financeiros.
- Empresas gastam muito tempo criando relatórios manuais de performance.
Essas hipóteses serão o norte do MVP. Quanto mais claras, mais fácil será medir o resultado.
2. Escolha bem seu público-alvo
Vejo muitos empreendedores caindo no erro de querer agradar "todo mundo". Identifique quem será seu usuário inicial, aquele perfil que sente mais intensamente o problema.
Por exemplo, quando um grupo de estudantes resolveu criar um app para organizar rotinas de estudos, o foco inicial foi em vestibulandos de escolas públicas. Eles tinham um desafio concreto: muita matéria e pouco tempo. Concentrar os testes nesse público acelerou os feedbacks valiosos.
Quanto mais nítido for seu público, maior a chance de aprender rápido com o MVP.
Se precisar aprofundar no estudo do mercado, o Criador de Negócios também pode te ajudar, oferecendo uma visão detalhada de clientes em potencial e concorrentes em cada nicho, antes mesmo de definir o produto final.
3. Seleção das funcionalidades mínimas
Esse é o momento mais delicado. Minha dica: seja radical na escolha! Pergunte-se: quais são as funções básicas sem as quais o cliente não consegue experimentar o valor da solução?
Não inclua recursos motivados apenas por vaidade. Lembro de uma vez que participei de uma equipe desenvolvendo uma plataforma para pais controlarem horários dos filhos online. O MVP tinha apenas: cadastro, agenda e envio de lembrete por e-mail. Nada de chat, notificações complexas ou integração com outros apps. Mesmo assim, o feedback dos primeiros testers foi surpreendente.

4. Planeje os testes e defina métricas objetivas
Defina o que validar: será o interesse (número de inscrições numa landing page)? Será o uso recorrente (quantidade de logins por semana)? Ou a disposição de pagar?
Quando criei meu primeiro MVP, optei por entrevistar clientes após terem usado por uma semana. As métricas escolhidas:
- Taxa de adesão inicial (baixaram o app, se cadastraram ou fizeram o pedido?)
- Número de usos recorrentes.
- Satisfação via rápido formulário pós-teste.
Essas métricas são objetivas e mostram rapidamente se a solução gera valor real.
5. Desenvolva o protótipo viável mais rápido possível
Aqui, não falo apenas de tecnologia! Já vi MVPs feitos com apresentações em slides, vídeos do conceito ou até uma loja simulada de papelão em feira. A questão é: o cliente consegue experimentar o valor, mesmo que de forma rústica?
Uma plataforma digital, por exemplo, pode ser simulada com protótipo navegável (como eu já usei várias vezes) ou páginas manuais, onde uma pessoa realiza as ações nos bastidores. O objetivo é eliminar o excesso de trabalho inicial sem perder o aprendizado.

6. Recrute usuários reais e colete feedbacks sinceros
A entrega do MVP para os primeiros clientes é um dos momentos mais tensos. Gosto de lembrar: o que importa nessa fase é honestidade radical entre você e o cliente. Convide esse usuário a testar e peça opiniões sinceras. Se possível, observe o uso, grave telas (com autorização, claro) ou prepare perguntas abertas.
Diversas startups colheram insights valiosos por simplesmente acompanharem o cliente utilizando a solução, seja presencialmente ou por vídeo-chamada. Em um projeto recente, pedi aos usuários que descrevessem, em voz alta, suas dúvidas enquanto usavam a plataforma. As respostas ajudaram a eliminar etapas confusas.
7. Aprenda rapidamente e ajuste sem medo
Talvez essa seja a parte mais desafiadora de todo o processo: aplicar os aprendizados, pivotar se necessário e não insistir em ideias que não geram valor. Em alguns casos, é preciso abandonar completamente o modelo inicial.
Cito um caso real: uma startup de alimentação saudável lançou um MVP apenas com opções veganas. Os testes mostraram que, na região em que atuavam, o público queria variedade, inclusive opções com proteína animal. Adaptar rapidamente fez toda a diferença para os fundadores conquistarem uma fatia de mercado promissora.
O Criador de Negócios também oferece diagnósticos rápidos que ajudam nesse momento de decisão: seguir, ajustar ou abandonar uma ideia, sempre baseando-se em dados concretos.

Dicas para evitar erros comuns ao criar um MVP
Cometi e presenciei muitos erros ao longo dos anos. Quase sempre, os problemas giram em torno de excesso de vaidade, apego à ideia original ou ansiedade pelo “produto perfeito”. Vou listar aqui cuidados decisivos que, se aplicados, vão poupar tempo e dinheiro:
- Não confunda MVP com protótipo inacabado: MVP precisa entregar valor mínimo ao cliente real. Protótipos apenas ilustram ideias.
- Evite adicionar várias funcionalidades: concentre no que resolve o problema central, mesmo que o design fique aquém do ideal.
- Analise todos os feedbacks com humildade: cada comentário negativo pode apontar melhorias.
- Defina métricas antes de iniciar: sem objetivos claros, você não saberá se o teste foi, de fato, um sucesso.
- Não ignore dados que contradizem suas expectativas: quando os números mostram que a visão não é aceita, mude rapidamente.
- Compartilhe aprendizados com sua equipe e busque opiniões externas quando possível.
Se quiser aprofundar ainda mais sobre validação de hipóteses e erros evitáveis, recomendo explorar os artigos sobre validação e empreendedorismo no nosso blog.
Exemplos reais de MVP simples que deram certo
Gosto de trazer inspiração de projetos de diferentes áreas:
- Um exemplo famoso: quando um empreendedor testou uma ideia de loja virtual de sapatos, ele simplesmente tirou fotos dos calçados nas lojas e, ao receber os primeiros pedidos, comprava o item no varejo tradicional e enviava para o cliente. O site era simples, feitos com uma única página e link para contato. Esse foi o embrião de um negócio bilionário, e permitiu aprender sem gastar em estoque ou logística complexa.
- Vi um caso recente de um aplicativo para agendamento de consultas médicas, onde o MVP era uma página com formulário simples. O próprio fundador ligava para o consultório e confirmava agendamentos manualmente, o cliente nem percebia que não era um sistema automatizado! Resultado: validaram a demanda antes de investir em tecnologia.
- Um grupo de amigos querendo criar um delivery sustentável começou oferecendo menu semanal em grupos de WhatsApp, usando um formulário Google para pedidos. Eles entenderam em menos de um mês quais pratos as pessoas preferiam, antes de desenvolver o aplicativo completo.
Aproximar-se do cliente e testar com recursos disponíveis é sempre melhor do que esperar por uma versão perfeita que nunca sai do papel.
Para quem gosta de leituras sobre inovação, recomendo também a categoria de inovação em nosso blog, que traz exemplos práticos e discussões atuais do universo empreendedor.
Coletando feedbacks e estruturando ciclos de melhoria
Feedback de cliente é ouro, mas só funciona se for ouvido de verdade. Faço sempre três perguntas fundamentais após o uso do MVP:
- O que você achou mais útil na solução?
- O que sentiu falta?
- Você pagaria por isso? Se não, o que mudaria para pagar?
Essas perguntas abrem conversas sinceras e revelam rapidamente se sua visão está alinhada com a dor real do cliente. Eu costumo registrar cada resposta, analisar padrões e discutir com sócios ou mentores.
Se perceber que as respostas fogem muito das hipóteses iniciais, pode ser momento de repensar o modelo. Não se apegue, pivotar faz parte do processo de inovação.
Para seguir aprendendo sobre esse tema, recomendo a leitura deste artigo sobre estratégias práticas de validação e deste sobre ajustes rápidos em MVPs.
Recursos para testar ideias e construir seu MVP
Hoje, existem muitas ferramentas digitais que ajudam a economizar nos testes. Plataformas de prototipagem, formulários, geradores de landing page e apps de pesquisa online permitem que, mesmo sem saber programar, você valide hipóteses com poucos cliques.
Outro recurso interessante é contar com soluções de inteligência artificial aliadas ao processo de validação. O Criador de Negócios, por exemplo, faz um diagnóstico em minutos sobre mercado, concorrência, risco e potencial de lucro, etapas que, tradicionalmente, levariam semanas. Isso agiliza tomadas de decisão e cria confiança para avançar nos próximos ciclos do MVP.
Se quiser ideias de outras abordagens e recursos, basta explorar nosso conteúdo sobre inovação.
Conclusão: Comece pequeno, aprenda rápido, evite desperdício
Ao longo da minha experiência com startups e novos negócios, uma lição se repete: validar no menor tempo possível protege seu investimento e direciona melhor seus esforços. Usar metodologias como o MVP, aliadas a diagnósticos rápidos com inteligência artificial, permite avançar com segurança e competir em mercados incertos.
Não espere o produto perfeito para começar: a melhor resposta virá do seu cliente, não da sua imaginação.
Se você está pensando em transformar sua ideia em realidade, recomendo fortemente conhecer a solução do Criador de Negócios. Com ela, você valida seus projetos antes de investir pesado, recebe orientações sobre ajustes e pode aproveitar funcionalidades que vão muito além do diagnóstico inicial. Teste suas ideias e proteja seu tempo e dinheiro. O próximo ciclo pode ser o início do seu sucesso.
Perguntas frequentes sobre MVP simples
O que é um MVP simples?
Um MVP simples é a versão mais enxuta de um produto ou serviço, criada para testar hipóteses-chave com clientes reais, antes do projeto ser totalmente desenvolvido. O objetivo é entender rapidamente se existe demanda, recebendo feedbacks concretos e reduzindo riscos antes de grandes investimentos.
Como criar um MVP gastando pouco?
Para gastar pouco, concentre-se em resolver apenas o principal problema do cliente, sem funções extras. Use ferramentas gratuitas ou de baixo custo, como formulários online, protótipos navegáveis e redes sociais para divulgação. Evite investir em tecnologia sofisticada no início e foque em aprender com as reações dos primeiros usuários.
Quais ferramentas usar para um MVP?
Você pode começar com protótipos em papel, apresentações em slides, páginas simples na internet (landing pages), formulários Google, vídeos demonstrativos e plataformas gratuitas de prototipagem. Para validação e diagnósticos rápidos, soluções como o Criador de Negócios auxiliam a identificar mercado, dor do cliente e riscos rapidamente.
Por que validar ideias com MVP?
Validar ideias com MVP reduz riscos e evita desperdício de recursos, pois permite testar hipóteses com rapidez e adaptar o projeto baseado em dados reais do mercado. Estudos da USP mostram que o MVP acelera o aprendizado e gera eficiência no desenvolvimento de novos negócios.
Quanto tempo leva para fazer um MVP?
Um MVP simples pode ser desenvolvido em poucos dias ou semanas, dependendo da complexidade do problema a ser testado e dos recursos utilizados. O foco é lançar logo, para aprender o mais rápido possível com os clientes e fazer ajustes antes de investir em uma versão mais completa.
